Neste guia
Em resumo
- A qualificação e o grau de incapacidade influenciam a prestação.
- Datas clínicas e remuneração de referência não devem ser estimadas.
- A página organiza dados, mas não emite decisão médico-legal.
- Confirme sempre a apólice, os relatórios e a Lei n.º 98/2009.
O que pode integrar a reparação
A Lei n.º 98/2009 prevê prestações em espécie — como cuidados médicos, hospitalares, farmacêuticos e de reabilitação necessários — e prestações em dinheiro, que variam com a consequência do acidente. A primeira tarefa não é multiplicar um salário por uma percentagem: é identificar o tipo de incapacidade reconhecida, o período a que respeita e a remuneração relevante.
Incapacidade temporária e incapacidade permanente são situações diferentes. Também é necessário distinguir incapacidade parcial, absoluta para o trabalho habitual e absoluta para todo o trabalho. Um documento clínico provisório não deve ser tratado automaticamente como decisão final.
Dados que alteram o resultado
Reúna a data e circunstâncias do acidente, a entidade empregadora, a seguradora, a remuneração declarada, os períodos de baixa, os coeficientes ou graus atribuídos e os pagamentos realizados. Confirme se subsídios regulares integram a base indicada nos documentos. Registe despesas de deslocação, tratamento e medicamentos com comprovativos.
Quando um destes campos falta, a simulação deve mostrar “não determinado” em vez de preencher por média. A remuneração de referência e a incapacidade não podem ser inventadas a partir do cargo ou da lesão descrita.
Exemplo de organização — não de decisão
Uma pessoa pode ter três blocos documentais: 30 dias de incapacidade temporária, despesas médicas comprovadas e uma avaliação posterior sobre eventual incapacidade permanente. Cada bloco tem datas, base e documentos próprios. Somar tudo num único valor antes de confirmar o que foi aceite pela seguradora cria uma falsa precisão.
Uma boa folha de conferência apresenta período, natureza da prestação, base usada, valor pago e diferença a esclarecer. Assim é possível formular perguntas concretas sem afirmar que determinado montante é juridicamente devido.
O que esta leitura não substitui
A ferramenta não determina nexo causal, grau de incapacidade, responsabilidade da entidade empregadora ou valor judicial. Esses pontos podem exigir avaliação clínica, médico-legal e jurídica. Se houver divergência sobre alta, incapacidade, remuneração ou recusa de cobertura, preserve as versões originais e procure a entidade competente ou apoio profissional.
Use a análise documental para localizar páginas, valores, datas e contradições. O documento original e as decisões das entidades competentes prevalecem.
Quer conferir estes pontos no seu documento?
Use a análise para organizar valores, datas, condições e informação ausente no documento real.
Analisar o meu documentoPerguntas frequentes
É possível calcular uma indemnização apenas com o salário?
Não. A natureza e duração da incapacidade, a remuneração relevante, despesas e prestações já pagas podem alterar o apuramento.
A análise decide o grau de incapacidade?
Não. O grau resulta dos procedimentos e avaliações competentes; a análise apenas organiza o que consta dos documentos.
Fontes e referências
- Lei n.º 98/2009 — regime de reparação de acidentes de trabalho · fonte oficial